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Depressão Gestacional

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Nem sempre o período gestacional é marcado apenas por alegrias. Afinal todas as mudanças que a mulher passa, sejam físicas, hormonais, psíquicas ou sociais, podem-se refletir directamente na sua saúde mental. As mudanças provocadas pela vinda de um bebé envolvem também fatores socioeconómicos, principalmente nas famílias cujas mulheres participam do orçamento familiar.

A intensidade das alterações psíquicas dependerá de fatores orgânicos, familiares, conjugais, sociais, culturais e da personalidade da gestante.

Cerca de 15% a 20% das mulheres apresenta depressão no período gestacional e no puerpério, no entanto a maioria não é diagnosticada nem tratada adequadamente.

Socialmente, a mulher pode tentar mascarar sentimentos negativos, por acreditar que a gestação deveria ser só um período de alegrias. Mas depressão clínica é um problema sério e deve ser tratado

A prevalência parece ser mais alta no terceiro trimestre de gravidez e tende a aumentar em casos de gravidez de alto risco.

Alguns dos fatores de risco para o aparecimento de depressão durante a gravidez e puerpério são:

  • Existência prévia de perturbações psicológicas, principalmente história de depressão;
  • Dificuldades financeiras, como por exemplo um dos futuros pais ter sido despedido o que leva a dificuldades em gerir o orçamento familiar;
  • Baixa escolaridade;
  • Gravidez na adolescência (mais frequente em adolescentes mães de primeira viagem);
  • Falta de suporte social, marital ou familiar. O suporte oferecido pelo cônjuge é determinante para o bem-estar da gestante;
  • Conflitos conjugais;
  • Percepção negativa da gravidez;
  • Eventos de vida stressantes, como ter sido vítima de assalto, a morte de um ente querido, entre outros;
  •  Ter sido vítima de violência, seja cometida pelo parceiro, por um familiar ou por um desconhecido.

A depressão durante a gravidez deve ser considerada importante no campo da saúde mental, e não deve ser negligenciada uma vez que constitui um grande factor de risco para a depressão pós-parto.

A gestante com sintomas depressivos pode apresentar menor preocupação com o seu estado de saúde, não aderindo a cuidados pré-natais.

Assim torna-se necessário intervir o quanto antes com as futuras mães para prevenir ou minimizar possíveis efeitos nocivos tanto para a mãe como para o bebé.

Alguns sintomas que costumam caracterizar a depressão:

  • Tristeza frequente
  • Incapacidade de manter a concentração
  • Ansiedade exagerada
  • Irritabilidade
  • Distúrbios do sono (insónia ou sono constante)
  • Fadiga
  • Excesso ou falta de apetite
  • Ideia de que nada vale a pena na vida

Se se sentir assim desabafe, com o companheiro, familiares, amigos, fale com o seu obstetra, pratique alguma actividade física, procure grupos de gestantes e considere a hipótese de fazer terapia.

“Não é sinal de fraqueza buscar ajuda de um terapeuta ou psiquiatra. A atitude só mostra que você é uma mãe cuidadosa, disposta a tomar todas as decisões necessárias para manter sua própria saúde e a do bebé em dia. “

 


Bibliografia:

Pereira, K. P. & Lovisi, G. M. (2008). Prevalência da depressão gestacional e fatores associados.

Revista de Psiquiatria Clínica, 35 (4), 144 – 153.

Depressão na Gravidez. BabyCenter